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                                               Feira Livre (*)



"As feiras são fenômenos econômicos sociais muito antigos e já eram conhecidas dos Gregos e Romanos. Entre
os Romanos, por causa das implicações de ordem pública que as feiras tinham, estabeleceu-se que as regras
de sua criação e funcionamento dependiam da intervenção e garantia do estado. O papel das feiras tornou-se
verdadeiramente importante a partir da chamada revolução comercial, ou seja, do século XI. Daí em diante, seu
número foi sempre aumentando até o século XIII." (Enciclopédia Luso-Brasileira - 1995, Vol. 8 pg. 502)



As feiras livres existem no Brasil desde o tempo da colônia. Apesar dos "tempos modernos" e dos contratempos
que elas causam em grandes cidades, elas não desaparecem. Em muitos lugares no interior do país elas são o
principal e, às vezes, o único local de comércio da população. Muitas vezes elas funcionam também como cen-
tros culturais e de lazer.

Estas feiras devem ter se originado há muito tempo, quando as pessoas se reuniam periodicamente em algum
ponto pré-determinado da cidade para vender seus produtos à população ou mesmo realizar trocas. Com o tem-
po provavelmente o número de pessoas foi aumentando e o poder público interveio com o objetivo de discipli-
nar, fiscalizar e, é claro, cobrar os impostos.

A feira é um lugar cheio de sons, movimentado e colorido. Talvez por isto chame a atenção numa primeira aná-
lise. O colorido das frutas e legumes nas barracas iluminadas pela luz do sol filtrada através dos toldos propor-
ciona um visual muito bonito. Em alguns lugares o sol passa direto pelas frestas e espaços entre as barracas
criando uma luz incrível.

Os feirantes gritam apregoando a qualidade dos seus produtos e garantindo que o seu preço é o melhor da feira.
As pessoas circulam muito, examinam, pechincham ou simplesmente estão à procura do que desejam. Outras já
tem suas barracas preferidas, conhecem o feirante de longa data e às vezes parecem mais amigos do que
fregueses. Em muitas barracas nota-se que as pessoas que estão trabalhando são todas de uma mesma família.
No meio disto tudo ainda existem vendedores ambulantes, com tabuleiros montados em cima de caixotes ou
simplesmente no chão, que aproveitam a feira para tentar vender diversos produtos. Meninos se oferecem para
ajudar as pessoas a carregar as mercadorias. Em suma: uma "confusão" perfeitamente organizada onde tudo
parece funcionar na hora e no lugar certo.

Para quem observa de fora a feira parece um teatro cheio de personagens, cada um com sua história. Um lugar
com cheiros e sons que nos remetem ao nosso passado e, talvez, à nossa infância. Um lugar com suas cores e
suas luzes a serem descobertas, exploradas e... fotografadas.



(*) Fotos feitas em uma feira livre que se realiza na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.